domingo, 12 de setembro de 2010

porque falei com ela ontem e isso me veio à cabeça

Satellite's gone
up to the skies
Thing like that drive me
out of my mind

I watched it for a little while
I like to watch things on TV

Satellite of love
satellite of love
Satellite of love
satellite of

Satellite's gone
way up to Mars
Soon it will be filled
with parking cars

I watch it for a little while
I love to watch things on TV

Satellite of love...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

gotas

.


                          .
     .
você voltou para São Paulo
choro .
      .              .
as lágrimas caem
 .
.
mancham o papel     .

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

cinza

o dia amanheceu
nublado, triste.
mas isso é recorrente
é sempre assim quando você não está comigo

domingo, 29 de agosto de 2010

O meu armário

Enquanto crescia, não sei exatamente quando, adquiri a péssima mania de guardar um monte de coisas no meu armário, que é até bem grande: cartas, pilhas, baquetas, cheiros, lâminas, bichinhos de pelúcia e alfinetes. No meu armário guardo tudo aquilo que é mais querido pra mim: momentos, fotos, memórias. Outras coisas não são mais queridas mas ficam lá. E lá tem de tudo, de tudo quanto é lugar.

O hábito não é exatamente ruim, dá até pra curtir as coisas que passaram, relembrar, curtir de novo a memória. E quando tá arrumado, fica melhor ainda. O problema é que a maior parte do armário tá zoneada, é um todo misturado que precisa mexer e remexer pra achar algo. E aí complica, porque sempre que procuro algo na zona tem o risco de me cortar, espetar o dedo, me machucar. E dói. E me seguro pra não chorar, porque odeio dor e porque no fundo ainda sou meio criança; eu choro quando dói, não consigo evitar.

Muitas vezes acabo fazendo os outros me ajudarem a mexer, tentar organizar as coisas, porque de vez em quando fica tenso, mas quase nunca dá certo. Acho que é porque inconscientemente lembro onde estão as agulhas e faquinhas e acabo deixando pra quem me ajuda mexer ali. Por muitas vezes todos saímos machucados, e pior, em vez de tirar essas porcarias do armário, acabo, fraco, jogando tudo de volta.

No ano passado procurei alguém pra me ajudar e me indicaram uma moça, tipo uma diarista. Esse ano ela vem duas vezes por semana, até. Acho que ela não se machuca quando mexe, já deve estar acostumada, ou eu que não percebo. Não pergunto muito, mas adoro a ajuda que ela me dá, porque tem vezes que tenho muito a guardar, e ela me ajuda a organizar um pouco a zona, separar as coisas pontiagudas. Esse ano teve muita coisa pra tentar organizar e separar. Ainda tem muito pra jogar fora.

No fundo mesmo, eu preferia a ajuda do meu pai, mãe, namorada; pena que quase sempre acaba sendo ruim.

Meu pai não entende muito como faço as coisas. Ele tem uma estante cheia de coisa que não joga fora, mas ele não mexe muito nela. Quando precisa organizar porque ficou cheia demais, ele cataloga todas as coisas, então ele vê tudo, sem a bagunça. Não organiza, mas funciona pra ele. Pra ajudar nisso ele tem uma amiga, que não é diarista. E como fazemos as coisas de forma muito diferente, nunca dá certo a ajuda dele.

Minha namorada já quis me ajudar, e ajudou muito, mas eu tenho muita coisa, sou mais apegado que ela, tenho objetos cortantes demais e já choramos juntos por isso, brigamos, quando acontece isso não é nada bom. Hoje ela me apóia, tento explicar mais como as coisas estão guardadas; um dia quero que ela possa me ajudar, sem se machucar, porque a dor dela dói o dobro em mim.

Minha mãe é um caso a parte. Eu já botei ela pra mexer no armário comigo, brigamos, nos machucamos, nos cortamos, sangramos. Ela se afastou, e guardei os espinhos na pele junto com a toalha de bebê, o álbum, os choros, orgulho, saudades, cafés, o meu quarto, que só existe aqui, e as chaves da casa dela. Não falamos mais no armário, nem da briga, mas ambos sentimos nossas cicatrizes doerem quando vem uma tempestade; foi fundo assim.

Agora preciso buscar uma coisa de lá, preciso dela pra faculdade, mas ela tá grudada numas outras, incluinho uns pregos enferrujados. É algo como: preciso mas não quero; tenho que, mas dói se mexo muito ali. É, preciso jogar esses pregos e estiletes fora. Amanhã tenho ajuda, o que é bom, mas precisava ver isso hoje. “Coragem!”, acho, mas vou lá sem esse entusiasmo todo.

Quase esqueci: cuidado com o escorpião que está no armário. A picada não mata, mas dói pra cacete. E faz chorar, especialmente a mim. É a mim que ele mais envenena.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Represa

Preciso de tijolos, aço e concreto para erguer essa barreira
segurar o fluxo
guardar isso tudo
não deixar sair
Mas um olhar, um rosto, um sorriso
é o suficiente para criar rachaduras
pra água escorrer pelas frestas.
Tento amarrar tudo
para não desmoronar
acho que não tem jeito,
minha areia veio da praia
meu aço é impuro,
os tijolos estão rachados.
Não.
A enxurrada é que é forte demais

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

rosas vermelhas de sangue

é, faz tempo que escrevo. tempo demais, talvez.
Escrevo aqui hoje porque ela me falou que eu deveria escrever e ela tinha razão.
Brigamos eu e ela, mas Ella não resolveria tudo, como numa música da Cat Power.
Ela, que tanto me envolve e se faz importante na minha vida.
turbilhões
Aula de dança contemporânea, busca do movimento, conhecer o próprio corpo. Já conheço aqueles exercícios, já é minha terceira vez lá. Amo muito tudo aquilo.
Mac Donald's, não.
Movimento ritmado, música, representação
representação através do movimento
vento, turbilhão
dias que passaram e que voltaram a mim na busca da articulação do braço direito.
A sensação de estar longe e puxar para perto, correr junto por gramados
seria o braço esquerdo?
vento. sentir o vento no rosto, voar como uma folha seca ao vento
sentir
emoções a flor da pele
quase filme do almodóvar, quase livro do García Márquez
sentimentos, sentimento guardados, sentimentos escondidos, sentimentos devidamente expostos, analisados e sentenciados
coisas que deviam estar esquecidas na vida, não guardadas no peito
peito exposto esse
dança, peito aberta, buscando esticar os braços, alongando
procurar no espaço o movimento
não entendo de dança. qual o movimento do medo?
como danço o sofrer de amor?
Até gosto de tango, mas não estou no clima para dançar tango hoje.
choraria
No meu peito reverbera Piazzola