terça-feira, 15 de março de 2011

pulso

ela me disse
"a vida não é um mar de rosas"
é verdade
nem tudo são flores
estrelas chuva lua sorrisos
o amor é como a rosa
vermelha como sangue
é visceral e sujo
roxo
como as marcas deixadas pelo corpo
momentos de prazer ódio carinho desespero

amor bonito e imaculado
é o que nunca foi vivido
sem alma
como um comercial de tv
o amor real deixa marcas
queimaduras cortes ossos quebrados
estória de casal se conta pelos desamores

minhas paixões prefiro intensas
como um caminhão em alta velocidade
quando perde o controle
arrasa tudo que estiver no caminho
pega fogo
explode em mim.
O que deu na gente?
Uma cegueira estranha,
falta de tato.

A gente não quis ver,
nem ouvir nem sentir.
Não queríamos saber.

Só queríamos o gosto do nosso beijo,
o calor do nosso abraço
e o cheiro dos nossos corpos suados.

Mas a dor, isso sentíamos.
A pontada nos acordava do sonho,
nosso retrato de Dorian Gray.

Nossos olhos estavam inchados de choro,
nos nossos sorrisos faltavam dentes
e nosso abraço nos paralisava de dor.

A gente não se pertencia.
Sabíamos, não sabíamos,
nos queríamos como queríamos que o outro fosse.

Tem uma hora em que a mentira se esgota.
Já estavamos exaustos, desfizemos tudo.
No entanto, a mentira é tentadora, como nossa mais doce lembrança.

eu era o herói...

Não tem vilão.
Não tem mocinho.
A culpa não é de ninguém.
Não é bom,
é estranho.
Difícil.
Acabou, simples assim...
Não é simples.
É dor no peito,
uma faca cravada, sem dono.
Um fantasma
que nos fere sem sabermos onde está.
No fim
nos resta o sangue
e um buraco fundo,
cheio de estilhaços cortantes
de coração.

domingo, 13 de março de 2011

memória

Olho para a noite
e as estrelas
brilham como seus olhos
a Lua
é o seu sorriso
e a escuridão
que tudo envolve
é como seus cabelos

fecho os olhos
quase consigo beijá-la
me deixo cair em teus braços
ficamos com os rostos colados
deitados
e escutamos um som

então percebo as nuvens
chove
as gotas já molham minha roupa
tento secá-las
molham o papel

encharcado
não quero ir embora
tremendo
espero o dia em que a chuva pare
o céu abra
e eu volte a ver seu rosto

sexta-feira, 11 de março de 2011

olhos teus

Há vezes que não resistimos,
vemos,
nos ferimos.
Mas no fim de tudo,
o que temos,
senão o que sentimos?

terça-feira, 1 de março de 2011

meio cheio ou meio vazio

não adianta me enganar
fingir que não tenho sede
o copo está vazio

não adianta secar lágrimas
engolir o choro
tentar pensar que a história não importa

ainda importa
ainda semeia tempestades
rotineiras como briga de casal

mas que venha a chuva!
os olhos mareados
a dor no peito
berro com o Trovão!
vivo a tempestade

já tentei evitar
o raio corta meu peito
mas sem isso
o copo continua vazio
assim como eu