terça-feira, 1 de março de 2011

meio cheio ou meio vazio

não adianta me enganar
fingir que não tenho sede
o copo está vazio

não adianta secar lágrimas
engolir o choro
tentar pensar que a história não importa

ainda importa
ainda semeia tempestades
rotineiras como briga de casal

mas que venha a chuva!
os olhos mareados
a dor no peito
berro com o Trovão!
vivo a tempestade

já tentei evitar
o raio corta meu peito
mas sem isso
o copo continua vazio
assim como eu

Um comentário:

Unknown disse...

Também não me conformo com os copos... e outras máximas que tais...
Escrevi assim, outro dia:

Odeio essa história de copo meio cheio. E também aquela de aprender com as coisas que não deram certo. Eu já sou uma maravilha de aprendiz e o copo, é melhor que esteja logo vazio. Essa metáfora do copo é horrível para um tequileiro. Agora sobre aprender com o que não deu certo... Isso tudo parece muito sábio, sério e sóbrio, mas eu quero ser feliz, não quero ser esperta. Então por que as coisas não podem simplesmente... dar certo? Não quero ser um Buda sabichão e infeliz.
Também não simpatizo com o tempo curandeiro. “Não fique assim, minha filha, vai passar, o tempo cura tudo”. Que não há nada que o tempo não cure, eu sei. O que me custa é saber por que é preciso que eu me cure dele. De novo: por que as coisas não podem simplesmente dar certo? Raios que me partam!