O que deu na gente?
Uma cegueira estranha,
falta de tato.
A gente não quis ver,
nem ouvir nem sentir.
Não queríamos saber.
Só queríamos o gosto do nosso beijo,
o calor do nosso abraço
e o cheiro dos nossos corpos suados.
Mas a dor, isso sentíamos.
A pontada nos acordava do sonho,
nosso retrato de Dorian Gray.
Nossos olhos estavam inchados de choro,
nos nossos sorrisos faltavam dentes
e nosso abraço nos paralisava de dor.
A gente não se pertencia.
Sabíamos, não sabíamos,
nos queríamos como queríamos que o outro fosse.
Tem uma hora em que a mentira se esgota.
Já estavamos exaustos, desfizemos tudo.
No entanto, a mentira é tentadora, como nossa mais doce lembrança.
terça-feira, 15 de março de 2011
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