O cheiro de uma fruta, o cheiro de uma flor, o cheiro de um perfuma, masculino ou feminino, que os europeus tão bem confeccionam e tão sabiamente usam para esconder seu
Os cheiros. Eles me remetem a lugares, a tempos de vida passados, a músicas, sentimentos, pessoas.
Apesar dos rotineiros enguiços olfativos, hoje no ônibus senti um cheiro familiar. Era um cheiro muito antigo, não sabia bem de onde. Pus os funcionários do Departamento de Memória (DdM) para funcionar e as informações foram surgindo devagar quase parando. Funcionalismo público é assim mesmo. Mas apareceram algumas coisas interessantes:
1o. - O cheiro vinha da mulher que estava ao meu lado
2o. - É um shampoo
Lentamente as informações foram se montando. Aquele cheiro era o shampoo que uma das minhas muitas paixões juvenis usava. Não consigui descobrir nem quem era a paixão e nem quando ocorreu. Sabia apenas que era do elséve para cabelos longos e que essa fragrância me faz viajar de volta a uma vida, um tempo que não existe mais.
E assim fiquei, mergulhado naquele cheiro de outros tempos, até chegar no meu ponto, quando voltei ao presente, puxei a cigarra e saí, minha rotina de todos os dias, como se nada tivesse acontecido.
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